EUA planejam indiciar Raúl Castro, ex-presidente de Cuba, na próxima semana
Raúl Castro em 1º de maio de 2025 em Havana, Cuba Norlys Perez / Reuters Os Estados Unidos planejam indiciar o ex-presidente cubano Raúl Castro, disse um fun...
Raúl Castro em 1º de maio de 2025 em Havana, Cuba Norlys Perez / Reuters Os Estados Unidos planejam indiciar o ex-presidente cubano Raúl Castro, disse um funcionário do Departamento de Justiça dos EUA nesta quinta-feira (14). A informação foi divulgada pela Reuters. Segundo a fonte, procuradores federais pretendem anunciar a acusação em Miami na quarta-feira (20). O indiciamento ainda precisará ser aprovado por um grande júri. A data coincide, segundo a Reuters, com uma homenagem organizada pela Procuradoria de Miami às vítimas do caso que motivou as acusações contra Castro. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Trump posta mapa da Venezuela como 51º estado dos EUA Vídeos em alta no g1 A acusação seria baseada em um incidente que aconteceu em 1996, no qual jatos cubanos abateram aviões operados por um grupo de exilados cubanos chamado "Irmãos ao Resgate". Na época do incidente, Raúl Castro era ministro da Defesa de Cuba. O governo cubano argumentou que o ataque foi uma resposta legítima à intrusão de aviões no espaço aéreo cubano. Os Estados Unidos condenaram o ataque e impuseram sanções contra Cuba, mas nunca haviam acusado criminalmente Raúl Castro ou seu irmão, Fidel Castro. Aumento da pressão sobre Havana A notícia do indiciamento ocorre em meio a tensões intensificadas entre Washington e Havana. O governo Trump descreveu o atual governo de Cuba, liderado por comunistas, como corrupto e incompetente, e está pressionando por uma mudança de regime. O presidente Donald Trump tem acumulado pressão sobre a ilha, impondo efetivamente um bloqueio ao ameaçar com sanções os países que a fornecem combustível, provocando apagões e desferindo golpes em sua economia. A Procuradoria dos EUA para o Distrito Sul da Flórida tem supervisionado um esforço para examinar possíveis acusações criminais contra altos funcionários do governo cubano. Autoridades de ambos os países reconheceram no início deste ano que estavam em negociações, mas as tratativas pareceram fracassar em meio ao contínuo bloqueio de combustível por parte dos EUA. No entanto, na quinta-feira, o governo cubano confirmou que se encontrou com o chefe da CIA, John Ratcliffe. Avião do governo dos EUA avistado no Aeroporto Internacional de Havana nesta quinta-feira (14) REUTERS/Norlys Perez Ratcliffe disse a oficiais de inteligência em Cuba que os EUA estavam dispostos a se engajar em questões de segurança econômica se Cuba fizesse "mudanças fundamentais", disse um funcionário da CIA. Os Estados Unidos já utilizaram anteriormente casos criminais contra figuras políticas estrangeiras para justificar ações militares. Em janeiro, quando os militares dos EUA atacaram a Venezuela, o governo Trump descreveu a incursão como uma "operação de aplicação da lei" para levar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a Nova York para enfrentar acusações criminais. Em março, Trump ameaçou que Cuba "é a próxima" depois da Venezuela. *Com informações da French Press e Reuters.